Sascar ruma à liderança global em telemetria

 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

Perto de completar vinte anos de mercado, a Sascar, companhia brasileira adquirida pelo grupo francês em 2014 por 530 milhões de euros, dispara com know-how em novas tecnologias de conectividade e inteligência artificial para incrementar serviços de segurança e gestão de frotas em toda a América Latina, começando pelo México, onde adquiriu uma empresa, a Copiloto Satelital, seguido da Argentina. O próximo passo é o Chile, o que deve acontecer ainda este ano. França, Espanha e Alemanha também fazem parte desse roteiro.

Com uma plataforma de soluções que envolve prevenção ligada ao risco, prevenção de acidentes, redução de custos, conservação da carga e TMS (Sistema de Gerenciamento de Transporte), o ecossistema da Sascar inclui também a telemetria por câmeras, um dos motivos pelos quais a Sascar adquiriu a Seva, em abril deste ano, e aumentou ainda mais sua capacidade de produzir tecnologia, explica Pedro Chaves, diretor comercial da Sascar. “Agregamos inteligência e devices para prestar outros serviços, e nos próximos dez anos, haverá uma consolidação de tecnologias ligadas à imagem, que chamamos de barramento CAM”.

Ainda em fase de teste em um embarcador de Guaíba, no Rio Grande do Sul, a câmera associada à telemetria do drive behavior para observar o comportamento do condutor -, detecta a fadiga, sono ou qualquer movimento de distração. Funciona, na verdade como um ranking de performance, servindo também como indicador de seleção de motoristas, ou de treinamentos e reciclagem. “A gente consegue perceber se o motorista está dormindo até de olhos abertos, e estamos tirando um pouco do seu livre arbítrio em prol de uma maior eficiência. Está vindo um set de opções, sendo integradas em prevenções de acidentes, que vai transformar a operação de transporte. O barramento CAM, quando lançamos em 2017, vendemos mil unidades. Em seis meses deste ano, foi para 3800 unidades”.

REDUÇÃO DE CUSTO OPERACIONAL

Ele costuma dizer que a telemetria é um meio e não um fim. Portanto, o mais importante em toda a operação é o drive behavior que consegue controlar e especificar áreas de risco e colocar uma cerca eletrônica com a velocidade correta, além de uma voz que fala com o condutor, alertando sobre áreas de risco e diminuição da velocidade. Dessa forma, explica, é possível alinhar a telemetria para reduzir o risco de acidente, e automaticamente, o custo operacional, incluindo os principais insumos como combustível, pneu, lona de freio etc.

Aderente aos pequenos e médios, de forma orgânica e natural, somando 60 mil autônomos, Pedro explica que a estratégia agora é crescer cada vez mais nos grandes clientes. “Não é fácil parar empresas com 3 mil caminhões, para mudar tecnologia. Tem um custo operacional nessa história. Milhões de investimentos foram feitos em cima disso. Para as transformações nas grandes empresas, vamos anunciar dois grandes bids (concorrência) que ganhamos, já dessa nova era de empresas que estão se consolidando e na fase de trocar de tecnologia, vindo para um modelo de conectividade”.

MUDANÇA DE MINDSET É PRECISO

De acordo com Pedro Chaves, é imprescindível investir em gestão para agregar agilidade e eficiência aos operadores logísticos e transportadores. “Estamos trocando o pneu do avião, voando. A gente enfrenta falta de habilidade de gestão das empresas, principalmente, com transportadoras familiares que, muitas vezes, contratam profissionais, apenas por parentesco, e não por competência. Enquanto isso, fundos financeiros que pensam fora da caixa, estão consolidando negócios logísticos como opção, e investindo fortemente em treinamento e reciclagem de pessoas. Gestão é tudo”.


PEDRO CHAVES, DIRETOR COMERCIAL DA SASCAR

Para facilitar a vida do gestor de frotas, a Sascar desenvolveu um algoritmo que inserido aos milhões de teras de informação, gerados pela telemetria, resulta em um relatório de aproximadamente 25 páginas que orienta os gestores de frota na tomada de decisão. “O que a gente não mede, não consegue gerir”.

Outro desafio, segundo ele, é verticalização e falta de uma plataforma única de conectividade entre as montadoras para agregar valor ao transportador que não é mais monomarca. “Precisamos começar a comprometer mais os atores dessa história. As montadoras investiram milhões no sistema de telemetria sem que se pudesse colocar todas dentro de uma única plataforma. Se tivéssemos o mesmo mindset em todas as montadoras, já estaríamos muito a frente. Se esses hardwares estivessem abertos, nós teríamos condições de prestar o mesmo serviço a um terço do custo. E quem ganharia é o transportador. Por que não falarmos de uma única plataforma de conectividade onde cada um vai agregar o que tem? Todo mundo participa do ecossistema. Os sistemas de telemetria não são locais, são mundiais”.

Como exemplo de benchmark de segurança com 60% de telemetria Sascar, ele cita a Raízen com uma frota de 3200 caminhões, rodando mais de 200 milhões de quilômetros por ano. “É um case fantástico que mostra que é possível pegar uma operação, e chegar a praticamente nível zero de acidente”. A respeito do modelo de negócios, adotado pela empresa, um plano de locação em que não se cobra o serviço, Pedro afirma que tecnologia não pode ser algo que se compre, porque ela inova a todo instante, e o que está vindo aí, fortemente, é inteligência artificial e machine learning. “Estamos hoje produzindo competências e talentos para fazer essa expansão internacional. Obviamente, o Brasil se beneficia, porque a gente vai sendo mais exigente, formando e treinando, e fazendo do Brasil um grande produtor de talentos e competências nessa área de tecnologia ligada à gestão”.

 
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